Dados indicam que a população de idosos vem crescendo exponencialmente ao longo dos últimos anos e, com isso, surge a preocupação eminente sobre o risco da magreza em idosos.

Conheça nesse artigo resultados que chamam muita atenção sobre o estado nutricional de idosos e que devem nortear as condutas ao atender esse grupo.

Foram divulgados recentemente os resultados de um estudo que chamou atenção para o risco associado com baixa quantidade de massa muscular em idosos.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP, depois de acompanhem um grupo de 839 idosos ao longo de aproximadamente quatro anos.

Foi constatado que o risco de mortalidade geral durante o período foi quase 63 vezes maior entre as mulheres com pouca massa muscular apendicular.

Entre os homens que já na primeira avaliação, apresentavam baixa porcentagem de músculos nos membros, a chance de morrer foi 11,4 vezes maior.

No estudo a massa muscular foi avaliada por densitometria por emissão de raios X de dupla energia (DXA, na sigla em inglês).

Esse achado nos remete a Sindemia Global da Obesidade que mostra a coexistência de obesidade, subnutrição e mudanças climáticas.

Vivendo há décadas a tendência de aumento da obesidade, corremos o risco de deixar de lado e interpretar com menor importantes problemas relacionados a subnutrição, perda de massa muscular, gerando por consequência o risco da magreza em idosos.

A menor quantidade de massa muscular nos idosos pode representar a consequência de uma desnutrição primária ocasionada por ingestão alimentar aquém das necessidades.

 

Fatores que contribuem para subnutrição e o risco da magreza em idosos

 

O estudo relaciona os principais fatores que influenciam podem ser:

  • Incapacidade para comprar alimentos
  • Incapacidade para preparar o próprio alimento

Influência por aspectos psicológicos como:

  • Saída do mercado de trabalho
  • Falta de integração com a sociedade
  • Solidão
  • Viuvez

Além disso, existem outras situações como doenças catabólicas e agravadas por internações e mudanças fisiológicas dos idosos.

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Principais medidas a serem tomadas ao reconhecer o problema

 

O fato é que ao reconhecer o problema da baixa quantidade de massa muscular ou do risco da magreza em idosos, os nutricionistas e profissionais da saúde devem se preocupar com:

  • Realizar avaliações profundas do estado nutricional. Essas avaliações devem ser completas e incluir avaliação da situações clínica e física do indivíduo e do consumo alimentar.
  •  Avaliações bioquímica com indicadores de estado nutricional. Sempre considerando o intervalo desejado entre as medidas e influências que possam afetar a interpretação desses resultados em decorrências de situações clínicas específicas.
  • Medidas de composição corporal devem ser utilizadas e sempre comparadas a valores de referência adequados a idade e ao grupo étnico.

É provável que nem sempre exames mais complexos e caros como DXA estarão disponíveis.

Então, a antropometria, que pode ser realizada com equipamentos mais simples e baratos como fita métrica e adipômetro,x é muito útil para avaliação dos idosos.

Além de comparadas com valores de referência específicos, devem ser sempre usadas para avaliações intrapessoais que permitam a evolução do indivíduos ao longo do tempo.

Devemos lembrar que o estado ao envelhecer é reflexo da vida toda do indivíduo, portanto, ao trabalhar com todos os grupos etários, devemos levar isso em consideração.

Do mesmo modo, é dever dos nutricionistas e profissionais da saúde se atentarem que o principal objetivo é sempre manter a saúde assegurando um bom estado nutricional que permita qualidade de vida e longevidade.

Em conclusão:

Especificamente aos nutricionistas é importante garantir um planejamento alimentar que atenda ao aporte energético e nutricional compatíveis ao estado nutricional adequado.

Lembrando que não apenas o aporte de proteínas têm ação construtora no nosso organismo, como também para que funções estruturais ocorram, necessitamos de adequação de nutrientes considerados energéticos.

Além disso, também da correta oferta de micronutrientes que permitem ações enzimáticas e manutenção do perfeito funcionamento metabólico.

Sobretudo mantendo boa relação com a comida, o que garantirá na prática hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis por muitas e muitas décadas coordenados com atividade física regular de acordo com a capacidade de cada indivíduo.

 

Por: @luiza.nutri

Santana FM, Domiciano DS, Gonçalves MA, Machado LG, Figueiredo CP, Lopes JB et al. Association of Appendicular Lean Mass, and Subcutaneous and Visceral Adipose Tissue With Mortality in Older Brazilians: The São Paulo Ageing & Health Study. J Bone Miner Res. 2019 Mar 13. doi: 10.1002/jbmr.3710.

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